quinta-feira, 5 de março de 2009

Escotismo na primeira guerra mundial

Entre 1914 e 1918, o Escotismo teve um pico de prestígio na sociedade. A guerra trouxe ao Movimento Escoteiro a oportunidade de ouro de mostrar o seu valor, enquanto escola de formação de cidadãos úteis, e de fazer jus ao seu lema. Naqueles tempos, em que ainda não se usavam anéis escoteiros nos lenços e havia muito por regulamentar e padronizar nas práticas, o Escotismo era visto de várias formas pela sociedade: se alguns viam no Movimento o seu real valor educativo, a maior parte da sociedade via-o apenas com curiosidade e um toque cômico.Com o início da guerra, os Escoteiros ingleses foram mobilizados para servir a sua Pátria, prestando-se a tarefas não militares que, nos dias de hoje, associamos à Defesa Civil, sob a coordenação das autoridades. Tarefas como vigilância de pontes, linhas de telégrafo e na linha de costa, coleta de informações logísticas, transmissão de informações e avisos à população, prestação organizada de auxílio e socorro à população, serviço de comunicações (mensageiros, sinalização, etc.), auxílio a famílias de homens envolvidos na guerra ou feridos, montagem de postos de primeiros-socorros, de refugiados e cozinhas públicas, auxílio à navegação em portos, estuários e canais, trabalhos agrícolas, e muito mais.Algumas destas prestações de serviços dos Escoteiros parecem um pouco tímidas, mas, o fato é que centenas de milhares foram envolvidos nas mais variadas tarefas no esforço de guerra, muitas vezes com um pedido de ajuda formal das autoridades. A costa inglesa foi vigiada durante todo o período da guerra pelos Escoteiros do Mar, que garantiram a presença 24 horas por dia de cerca de 2 000 Escoteiros, envolvendo um total de 23 000, divididos por turnos. Durante os anos de 1917-1918, em que os alemães bombardearam Londres e outras cidades a partir de grandes dirigíveis Zepelins e bi planos (o bombardeamento aéreo era uma novidade), eram os Escoteiros que, com as suas cornetas, de serviço 24 horas por dia, davam os alarmes para a população se abrigar e tocavam o famoso “All Clear”, que indicava que o perigo já tinha passado.A valiosa contribuição que os Escoteiros deram, valeu ao Movimento uma reputação e um respeito sem precedentes. Curiosamente, o que mais impressionou a população e as autoridades, não foi a capacidade dos Escoteiros fazerem nós, ou saberem tratar uma ferida, ou transmitirem uma mensagem em Morse, mas sim a prontidão evidenciada em todas as missões que lhes eram destinadas, a confiança com que as executavam e a forma incrivelmente organizada como atuavam, divididos em Patrulhas, com os seus próprios líderes. Os objetivos educativos do Escotismo, pelos quais B-P tanto se bateu, estavam à vista de todos, consumados.Em tempo de PAZ, hoje, talvez valha a pena refletir sobre este importante episódio da vida do Movimento, e da verdadeira missão do Escotismo enquanto escola de formação de indivíduos.

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